Miolo de Papelão Ondulado em São Paulo

fabrica de caixas de papelão ondulado em são pauloMiolo reciclado apresenta menores graus de resistência e de propriedades de rigidez em comparação ao semiquímico, embora seja possível melhorar as qualidades com o uso de alguns aditivos

Sem querer cair na redundância, começamos nosso artigo explicando que o título faz referência ao elemento ondulado do papelão – mais precisamente, do papel usado para ser ondulado e que, junto
com as capas, compõe o que chamamos “elementos da chapa de papelão ondulado”.

Nos dois últimos artigos falamos das capas (testliner e kraftliner); faltava apresentar alguns comentários
sobre o miolo. O papel miolo pode ser semiquímico, fabricado com fibras virgens, ou reciclado. Este último é o mais usado, enquanto o primeiro (semiquímico) é reservado a embalagens, digamos, especiais.

O material reciclado, uma mistura de aparas de diversas procedências recolhidas no mercado, pode até ter significativo percentual de material kraft (de aparas selecionadas a priori). Assim, o reciclado pode ser, em termos de resistência, melhor ou pior, dependendo da qualidade da matéria-prima – no caso, as aparas utilizadas.

Miolo reciclado apresenta menores graus de resistência e de propriedades de rigidez em comparação ao
semiquímico, embora seja possível melhorar as qualidades com o uso de alguns aditivos.

Papelão ondulado em são paulo

Embalagem desenvolvida pela Madripel Embalagens

O papel reciclado para o miolo participa com alto percentual do volume de embalagens fabricadas, sendo
a principal matéria-prima para o elemento ondulado do papelão. Quando se requer alguma característica especial de resistência da embalagem, como, por exemplo, a condições de alta umidade, recomenda-se o uso de um material semiquímico. A nosso ver, entretanto, não se trata de uma afirmação categórica. A maior contribuição do semiquímico, neste caso, é manter a resistência da embalagem por mais tempo.

Se, porém, essa situação (tempo) não for longa, é possível a utilização de um material reciclado. Há reciclados que, com o emprego de alguns aditivos, ficam com suas qualidades de resistência melhoradas.
Além disso, como dissemos, existe a possibilidade de uma seleção de aparas garantir alto percentual de
material kraft, o que enriqueceria a mistura de fibras que farão parte da composição na formação do papel. Uma preocupação justificável seria em relação à produtividade ou o que já chamamos de “maquinabilidade” (runnability). Ambos os tipos – semiquímico ou reciclado – estão em pé de igualdade nesse quesito. (Além disso, deveria ser mencionado como vantagem o fato de o miolo de fibras recicladas, como “fibra parcialmente morta”, ter melhor estabilidade dimensional contra umidade do que a do miolo semiquímico, que seria uma “fibra ativa”.)¹

A especificação para o miolo é a sua resistência ao esmagamento, medida em um ensaio conhecido como CMT, assim definido segundo a norma: “Resistência ao esmagamento do papel ondulado em laboratório é a força que, sob condições normalizadas, é necessária para esmagar um corpo de prova entre duas placas paralelas de uma prensa específica (crush tester) quando a força é aplicada perpendicularmente ao plano que passa sobre (e contém) o topo das ondas”.

Originalmente, a norma trazia algumas equações que permitiam prever a resistência ao esmagamento
do papelão ondulado. As equações levavam em conta o tipo de onda (A, C, B). As últimas revisões da norma já não têm essas equações. Nada impede, é claro, que o fabricante do papelão ondulado defina suas próprias equações. Afinal, precisa ter conhecimento sobre o que especificar para seu fornecedor de papel miolo.

Fonte: Artigo publicado na edição de março da revista ABPO por Juarez Pereira, assessor técnico da  ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO PAPELÃO ONDULADO (ABPO).