Boa notícia para as fábricas de papelão ondulado

embalagens personalizas de papelão onduladoDepois de dois anos complicados, que resultaram em um encolhimento de quase 5% nas expedições de caixas, acessórios e chapas, a indústria brasileira de papelão ondulado respirou aliviada em 2017 e começou o ano de 2018 muito otimista.

Desde janeiro de 2017, o volume expedido cresceu 4,7%, segundo dados preliminares da ABPO, que representa o setor, e em duas ocasiões a taxa de expansão mensal superou 8%, algo que não se via desde 2013. Mas as boas notícias não estão limitadas a essa estatística.

A revisão da ABPO desde 2005, incluindo o exercício de 2017, que passaram a tomar como base dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que o mercado doméstico de papelão ondulado é maior do que se pensava.

Ao alterar o ano base do levantamento de 2008 para 2013, houve correção para cima de 2,18% no volume de papelão ondulado expedido em toneladas. Com isso, por exemplo, o tamanho do mercado nacional subiu para 3,34 milhões de toneladas, frente a 3,26 milhões de toneladas antes da revisão.

Nesse ambiente, investimentos relevantes voltaram ao radar dos fabricantes. No fim de 2016, em dois movimentos estratégicos principalmente do ponto de vista geográfico, a Klabin comprou duas fábricas, Embalplan e Hevi Embalagens, por R$ 187 milhões. O valor da operação não é exorbitante (relativamente ao nível dos investimentos em novas unidades), mas sinalizou que companhias com caixa estavam atentas a boas oportunidades de negócio.

No grupo das multinacionais, a irlandesa Smurfit Kappa entrou no mercado brasileiro no início do ano passado, com desembolso de 186 milhões para comprar a Inpa Embalagens e a Paema Embalagens. Mais recentemente, a americana WestRock anunciou a construção no Brasil da maior fábrica dedicada a papelão ondulado. A unidade, na qual serão aplicados mais de US$ 125 milhões, também será a maior de toda a indústria na América Latina e ampliará em 25% a capacidade instalada da multinacional no país.

Especificamente em outubro de 2017, as expedições brasileiras de papelão ondulado voltaram a crescer com força e registraram a segunda maior taxa de expansão do ano, de acordo com dados preliminares da ABPO. No mês passado, o volume expedido subiu 8,46% na comparação, a 312,739 mil toneladas. Considerando-se o número de dias úteis, alta também foi de 8,46%. Frente a setembro, houve crescimento de 4,27%. Diante disso, no acumulado até outubro, as vendas de papelão ondulado chegaram a 2,917 milhões de toneladas, alta de 4,71%. A entidade projeta expansão de 3,8% nas expedições em 2017.

Em comentário que acompanha a prévia, o economista Salomão Quadros, do IBRE/FGV, destacou que, com outubro, já foram registradas neste ano duas taxas de expansão acima de 8%. “Parte desse crescimento pode ser explicada pelos baixos volumes expedidos nos meses finais de 2016, o chamado efeito base, que favorece a comparação”, observou Quadros. Porém, a trajetória da expedição ao longo deste ano, especialmente entre maio e julho, quando o crescimento ajustado sazonalmente alcançou 19,79% em termos anualizados, “apenas ratifica o vigor da recuperação do segmento”, acrescentou.